15 de out de 2009

"Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi."


A difusão da cultura no Brasil é muito estranha. Eventos culturais como a inauguração de uma exposição ocorrem em plena quarta-feira à noite. Neste mês, artistas talentosos expõem suas obras que interpretam o universo musical.

Hoje foi inaugurada a exposição "Sinfonia da cores," da professora Márcia Oliveira no Centro Cultural Pró-música. A inauguração teve a presença do Coral da Pró-música, regido por João Paulo Fazza, um quarteto com cordas e sopro e uma apresentação de um casal de dançarinos que sambam muito bem. Bem, o coral teve uma ótima apresentação, mas é notável que faltam vozes, principalmente as masculinas. O quarteto foi ótimo também, porém é óbvio que eu senti falta de uma percussão, mas o contrabaixo me deu um aceitável consolo. Já o casal dançarino... eu não entendo de samba, mas acho que eles demonstraram um gingado um tanto que surpreendente.
As obras em si são únicas. Cada uma traz um estilo diferente. Porém muitas convergiram para o mesmo tema: uma música nacional de anos passados. Um nacionalismo antigo, que já não é comum entre os jovens desse milênio. Não menosprezo Elis Regina, nem Tom Jobim. Muito menos eu promovo o funk ou a geração "calcinha-preta." Porém os “diretas-já” foi um fato de anos atrás, um acontecimento de outra geração. Não digo que é errado relembrar os velhos tempos, mas não consegui identificar uma pintura naquela exposição que defendesse uma nova identidade cultural nacional. O que eu senti na exposição foi um desenterro total de uma antiga cultura que era defendida por uma elite (muitas vezes carioca). Claro que apreciei belíssimas excessões, como o quadro inspirado em Vivaldi, outro em Mozart, e muitos com uma delicada metalinguagem.
E o que mais me deixou nervoso, mesmo, foi o fato de 40% dos que foram à exposição compareceram para beber cerveja, outros 40% para beber vinho, outros 10% para comer mini-esfihas, e somente os outros 10% se mostravam realmente interessados pelas obras de arte (estes, muitas vezes, eram os próprios artistas).

O coquetel em si estava decepcionante. Azeitonas, fatias de presunto minúsculas, um salgadinho de bacon que todos colocavam as mãos são bons exemplos.


Porém ver uma dessas engenhocas criativas faz qualquer guaraná diet ficar docinho como se adoçado com açúcar...
Mas, ainda assim, podemos mudar o ruma dessa história visitando a exposição até o fim desse mês na Galeria Renato de Almeida do Centro Cultural Pró-Música, na Avenida Rio Branco. Vale a pena!

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